"Não se vê a vida como quem assiste um espetáculo circense.
Definitivamente romperam a necessidade do sorriso.
Não querem rir do bufão, aquele que nada diz.
Deve-se reprimir ao último o destoado gargalhar do alegre."
Devo ter seguido à risca estes preceitos.
Devo ter implantado estas lições em meus neurônios.
Devo ter respirado fundo quando cantaram estas frases na clausura de um mosteiro beneditino.
Devo ter empacado qual um burro cansado das cicatrizes e as reprimentas em seu lombo carregado de conceitos e preceitos.
A busca do sorriso tem de ser obrigada aos seres
necessitados de alegria. Ah, como este é difícil!
Necessitamos reaprender a cada dia a morrer,
que nossos "quereres" não estejam disponíveis, e sorrirmos,
Tal qual um desgraçado qualquer, roto de tanto desejar
e nunca alcançar.
Devemos ser idiotas ao ponto de tudo rir, e nada saber,
nada querer, sobreviver de beijos mal dados,
e sorrisos superficiais.
Assim haveremos de alcançar a babaquice completa de nunca amar.
De nunca querer estar do lado de alguém que também te quer.
Quer-te os lábios, as pernas, os quadris.
Quer-te na cama, na praça, num caixão.
Quer-te...
E você também quer-lhe.
Ó santa babaquice,
inspiração do homem feliz.
Já eu, o carrancudo,
mesmo desejando o saber,
desejando querer,
desejando desejar,
esqueço a simplicidade de uma bobagem.
Aquela mais idiota que possa-se comentar.
Esqueço que os ouvidos necessitam de um balbuciar de hienas,
desejosas de sua carne.
Daí sim, hão de entregar-te teus quadris,
peitos,
lábios...
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